sexta-feira, 2 de agosto de 2013


Por Vanessa Matos

Na última visita, como acontecerá nas próximas, os esforços da disciplina estão no sentido de documentar a memória de Acupe a partir do ponto de vista de pessoas que vivenciam o lugar. Os relatos desses sujeitos, portanto, compreendem as circunstâncias econômicas, políticas e sociais nas quais se inserem naquele território.

Foram quatros encontros agendados naquela semana: um pescador aposentado, o simpático “Gordão”, uma funcionária recém-saída da E. E. Castro Alves, a alegre Maria Gersonilda, uma moradora antiga do lugar e o dono de um armazém que possui pequena coleção de artefatos da época do engenho.  O primeiro depoimento conseguido, no entanto, não estava na ordem do dia: Sr. Antônio, cuja imagem ele próprio afirma já ter sido exibida no mundo todo, é um antigo morador do morro Alto do Cruzeiro.  Homem simples, de estatura média e poucas palavras, aparentava ter entre setenta e oitenta anos,  contou que foi um dos primeiros moradores daquele local.

Com base em seu depoimento e nas próprias condições do local, nota-se que os primeiros habitantes do Morro Alto do Cruzeiro vieram de cidades vizinhas ou de outros distritos de Santo Amaro, principalmente pescadores e marisqueiras em busca de trabalho. Parte do relevo foi modificado na construção de casas e, até então, não recebeu nenhuma atenção da prefeitura tanto no sentido de infraestrutura quanto na conscientização e preservação por parte dos moradores em relação ao ambiente natural. Infelizmente, tive que me contentar com uma breve vista do mangue e da Baía de todos os Santos, pois meu sapato não estava adequado à caminhada pela terra íngreme.

No meio tempo, consegui algumas respostas a mais com o ativo senhor. Ele viera à Acupe há cinquenta anos para trabalhar. Nascera e fora criado em Saubara e entre uma atividade e outra, acabou formando família no distrito da Acupe, mas diz que pretende deixar a casa para o filho e voltar à cidade natal, onde tem irmã, outros filhos e netos. Apesar da idade já pesar em suas feições, ele se recusa a sentar um minuto e mesmo que não vá mais à pescaria com frequência, não descansa em casa, na ânsia de ter algo no que se ocupar. Após a conversa com Sr. Antônio, o restante da equipe se dirigiu ao alto do cruzeiro, de onde é possível avistar a cidade de Salvador.

 Com base na descrição dos colegas, na gravação, Maria Gersonilda falou sobre as dificuldades do distrito: há 15 anos Acupe tenta a emancipação, mas a sede não permite, segundo a entrevistada, porque depende dos subsídios de alimentação e impostos do distrito. Há uma mentalidade coletiva relativamente coesa sobre o fato. Não há investimentos em infraestrutura no lugar, como agência de correios e bancos, ou mesmo postos de saúde minimamente equipado, o que acirra a disputa. Contudo, a consciência que alimenta o sentimento de pertencimento àquela terra reforça as relações de identidade a ponto dos moradores não se reconhecerem “santo-amarenses”.

Descemos ao porto, a maré estava baixa. Como pescador aposentado, Gordão, que falou basicamente acerca de assunto sobre a economia da pesca. O que se percebe é que a pescaria é um ofício que permite levar uma vida segura, afinal ele mesmo sustentou quatro filhos com o trabalho, no entanto, os pescadores carecem de mais orientação sobre administração do orçamento familiar. O governo paga R$ 600,00 a cada seis meses, no período de reprodução dos peixes, pois a pesca é proibida nessas ocasiões e o Banco do Nordeste oferece empréstimos para a troca das canoas de madeira de lei por barcos de fibra de vidro e com motor. (O IBAMA está envolvido na ação, proibindo a derrubada aleatória de árvores). Contudo, são ações pouco eficazes em longo prazo, porque são isoladas. Segundo ele, o pescador consegue até R$ 100,00 por dia de trabalhado, porém poucos sabem investir parte dessa renda em benefício do próprio trabalho. O resultado são os crescentes gastos com bebidas nos bares que aumentam, em número, por todo o distrito e principalmente próximo ao porto.  

De maneira geral, os três entrevistados manifestaram algum tipo de esperança com a chegada de novos moradores em Acupe. Os turistas se identificam com a tranquilidade e beleza do local a ponto de decidir comprar ou construir casa ali, outros resolvem prestar assistência à população (o caso de uma Italiana que financiou a construção de uma creche). Parece que essas pessoas veem o valor simbólico do local e isso motiva os conterrâneos a continuarem sonhando e fazendo suas partes para um amanhã melhor.

LUCIANA SOUZA DOS SANTOS

Segunda visita a Acupe

 

No dia 28 de junho de 2013, a turma do ACC - Atividade Complementar em Comunidade – fez sua segunda visita ao distrito de Acupe, Santo Amaro.

O dia foi destinado a entrevistas com três moradores do local. O primeiro entrevistado foi o senhor Antônio, que nasceu em Saubara, mas se mudou para Acupe há muitos anos atrás e por lá formou uma nova família.

Seu Antônio é pescador e agricultor, pessoa simples e de enorme dignidade. Não se sentiu acanhado em nenhum momento durante a entrevista, muito pelo contrario, afirmou já ter participado de projetos como o realizado pelo ACC em outras ocasiões.

Quando a entrevista com o seu Antônio acabou, a turma se aventurou a subir no Morro do Cruzeiro, ponto mais alto de Acupe. Do local é possível ver todo o distrito e também a cidade do Salvador. E foi no Morro do Cruzeiro que aconteceu a entrevista com Dona Maria, uma mulher muito atenta aos problemas sociais e políticos de Acupe.

Para Dona Maria, os problemas de Acupe só iram melhorar a partir do momento que as pessoas adquiram consciência dos seus direitos e começarem a lutare por eles. Ressaltou as dificuldades encontradas nas áreas de educação e saúde. Mas a conversa não ficou só nesse ponto, Dona Maria denunciou os abusos que as marisqueiras sofrem. Para ela, é necessário que o sindicato que regulamenta essa profissão fiscalize e der a essas mulheres subsídios necessários para exercer a função.

Em contra partida, o terceiro entrevistado teve uma visão progressista de Acupe. Para Derivaldo, vulgo Gordão, o distrito é rodeado de riquezas naturais que possibilitaria a implantação de grandes empresas, que em um futuro próximo levaria o distrito de Acupe para outro patamar. Possibilitando assim, a tão sonhada emancipação que transformaria o distrito em um município independente.

A partir da segunda visita ao distrito de Acupe, foi possível identificar através das entrevistas com os moradores as tristes tradições das políticas culturais e sociais no Brasil. Traduzidas em três palavras: ausência, autoritarismo, instabilidade (Rubim 2012).

Ausências de políticas, identificadas principalmente na educação e saúde. No autoritarismo que visa através de uma estrutura social elitista privilegiar certos segmentos, e as instabilidades que podem ser traduzidas na falta de uma organização política mais permanente, os projetos que se iniciam e logo são descontinuados, a exemplo do hospital de Acupe e da subprefeitura.   

O distrito de Acupe ainda tem um grande caminho a seguir, é preciso paciência para enfrentar os problemas que virão e pessoas como Doma Maria e Gordão que acreditam no potencial do distrito.

 

 

Referencia Bibliográfica

 RUBIM, Antonio Albino Canelas; ROCHA Renata. Políticas Culturais. Salvador. EDUFBA, 2012.

 

UFBA

Aluna: Lizandra Santana

ACC- Memória audiovisual

Orientador: José Severino

 

Atividade em campo

Considerações sobre a 2ª visita à Acupe

 

No dia 28 de junho, ocorreu a 2ª visita de campo da ACC- Memória Audiovisual, coordenada pelo Professor José Severino, ao distrito de Acupe. Através da mediação do morador local, apelidado como “Gordão”, fomos atrás de relatos e informações que agregassem conhecimento à pesquisa.

Primeiramente, o Professor Severino, juntamente com o grupo de audiovisual, colheu um relato do Sr. Antônio, morador do distrito. O mesmo relatou sua história de vida, desde a vinda à localidade, até a construção de uma nova família, brincando no final da entrevista que já estava acostumado com as câmeras.

Logo após essa entrevista, o grupo subiu o morro, denominado “Morro do Cruzeiro”, no qual era possível observar toda a cidade. Do alto, podia-se ver o mangue em toda a sua extensão, até o mar, as ilhotas, um pedaço de Salvador, bem como as casas humildes, em sua maioria ainda no bloco sem reboco e as ruas sem asfalto.

Posicionados abaixo do Cruzeiro, o Professor Severino e a equipe conversaram com a Sra. Maria Gersonita  que logo de início perguntou o real objetivo da pesquisa e quais os benefícios para a população de Acupe. A resposta foi a de que o registro histórico e visual dos relatos colhidos serviriam para mostrar a realidade do distrito, e fazer com o que políticas públicas relacionadas a melhoria da educação, saúde e infraestrutura local fossem criadas.

Em seguida, a Sra. Maria, através do seu depoimento, denunciou o descaso dos governantes com a população da cidade, bem como a falta de investimentos em saúde e em educação. A Sra. Maria, moradora do distrito, falou também sobre a falta de reconhecimento das marisqueiras e pescadores locais, os abusos de poder e aproveitamento das condições simples em que vivem os habitantes, a falta de acompanhamento dos estudantes pelos pais, entre outras situações na qual o povo de Acupe vive diariamente.  Pra finalizar o bloco de entrevistas, “Gordão”, morador de Acupe, nos levou ao porto, e nos deu suas considerações sobre o distrito, prometendo nos ajudar o quanto fosse possível.

Por fim, na segunda visita à Acupe foi possível perceber mais de perto a realidade do povo de Acupe, que depende da pesca do caranguejo e marisco, e a relação direta de poder entre Acupe e Santo Amaro. Esse é um distrito riquíssimo de histórias, que realmente precisa de acompanhamento e melhorias em vários aspectos ligados às políticas públicas, para que a população tenha uma vida mais digna. 

 

 

Aluna: Lalesca Santos

 

VIAGEM ACUPE 28.06.2013

Acupe, localizada no recôncavo baiano, cidade pacata, onde uma das principais fontes de renda, se não a principal, é a produção de camarão e atividade pesqueira. Encontramos diversos viveiros para comercialização do camarão, uma produção lucrativa.  Conhecemos o Senhor Antônio, agricultor e pescador, residente em Acupe há muitos anos, considerado um dos mais antigos moradores da cidade, já sendo um centenário, mas com muita saúde e bastante à vontade para conversar com nossa equipe da ACC, nos contou que não tem vergonha de falar frente às câmeras, pois o mesmo já foi algumas vezes entrevistado.

Senhor Antônio mora a alguns metros de um dos pontos mais belos da cidade, chamado de Alto do Cruzeiro. Tendo uma ampla vista de toda a cidade e com uma paisagem belíssima do litoral.

Entre varias curiosidades que nos foi contadas, temos a de que o Governador João Durval foi o primeiro a construir um colégio em Acupe, uma coisa tão primordial para o desenvolvimento educacional da região. Dona Maria Gersenilda, residente da cidade,  que foi entrevistada ao fundo da bela vista do Alto do Cruzeiro, contou-nos também algumas fatos corriqueiros e expos seus pontos de vista, a partir de diferentes problemas enfrentados pela comunidade.  Sobre a precariedade da educação, Dona Gersenilda disse que os professores, devido a  sua grande importância, deveriam  ter mais atenção dos governantes, com salários mais dignos e melhores condições de trabalho. Relatando também o descaso na saúde pública da região, com alguns profissionais da área com despreparo e despesas de consulta com valores elevados.

Dona Maria Gercenilda que por muitos anos foi marisqueira nos revela as complicações que causadar pelos trabalhos na coleta dos frutos do mar, o grande esforço físico, problemas de inflamações nos ovários, e a fumaça de quando eles são fervidos, por longa exposição pode causar problemas, e entre outras inflamações por conta do contato direto e continuo. Mas deixa bem claro que nunca trocaria Acupe por nenhuma outra, “o povo é bastante carinhoso, atenciosos e dispostos a ajudar a conhecer o lugar. Acupe é um pedacinho do paraíso, não deixaria aqui por nada”.

Dona Maria relata das reuniões em que participou, com diretores e representantes regionais e do estado, sobre a falta de participação do governo em Acupe. Onde assunto como “Mar Vermelho” foi tratado sem a devida atenção, fato que Dona Gercenilda discordou da posição de muitos dos representantes dos órgãos competentes. Dona Maria demonstrou o apoio às manifestações que estavam acontecendo com em todo o Brasil, contando que gostaria de participar e o quanto seria importante esse tipo de demonstração de insatisfação em Acupe.

Estivemos também com Senhor Derivaldo (Gordão) que trabalhou por muito tempo como porteiro do Colégio Castro Alves, que está por dentro dos acontecimentos da cidade e apoia as causas sociais, e se mostrou bastante participativo conosco,  entre algumas conversas nos mostrou do alto do cruzeiro a localização dos viveiros de camarão, alguns clandestinos, outros sobre controles da Bahia Pesca, e alguns desativados, mas todos próximos ao litoral. Em entrevista com ele, fizemos filmagens no porto da cidade, local importantíssimo para a economia.

 

terça-feira, 7 de maio de 2013

Relato de Viagem



Por Denise Marinho
Nós, integrantes da ACC Memória Social: audiovisual e identidades, tivemos a rica oportunidade de percorrer a região sisaleira do Estado da Bahia. Na ocasião, pudemos conhecer importantes experiências de comunicação participativa, trabalhos realizados em alguma cidades da região e que têm como objetivo principal promover o acesso à informação.
O território do Sisal, mais conhecido como região Sisaleira da Bahia, está localizado no semiárido do nordeste do estado (a pouco mais de 200 km de Salvador). São quase 800 mil habitantes, distribuídos em 20 municípios. Foi denominada assim por conta da grande predominância da planta do sisal, planta resistente à aridez e ao sol intenso do sertão nordestino, e que é utilizada para fins comerciais.  Atualmente, a região abriga uma das maiores indústria têxtil de Sisal do mundo, a APAEB, na cidade de Valente,  produzindo carpetes, tapetes, capachos e fios. 
A nossa primeira parada foi na cidade de Retirolândia. Lá, visitamos a Agência Mandacaru de Comunicação e Cultura, fruto do Movimento de Organização Comunitária. O MOC, como é popularmente conhecido, é uma ong de Feira de Santana que tem como objetivo o desenvolvimento do semiárido baiano. No ano de 2002, o movimento empreendeu o projeto Comunicação Juvenil, que visava a capacitação de jovens da região na área da  comunicação social. Desse projeto nasceu a Agência Mandacaru de Comunicação e Cultura, formada por 20 jovens capacitados através do programa, e que vislumbraram a chance de também poder atuar como transformadores da realidade da sua região. Hoje, a equipe é composta por jornalistas, radialistas e outros profissionais. 
Entre os jovens que colaboram com o trabalho da agência, conhecemos Laudécio Carneiro, jovem de 23 anos, estudante do curso de  Radio e TV   Uneb (Universidade Estadual da Bahia). Laudécio é um exemplo de superação, vítima do trabalho infantil, teve a sua trajetória transformada depois de ser acolhido pelo PETI (Programa de Erradicação do Trabalho Infantil). Através do programa teve acesso a uma vida que antes era bastante improvável. Ao sair dos campos de lavoura, pode estudar e começar a construir um futuro bem diferente  do de seus pais e avós. Hoje, além de ser um dos diretores da agência, Laudécio ainda atua como Conselheiro Tutelar do município de Retirolândia, contribuindo para o desenvolvimento de crianças e jovens com histórias parecidas com a dele.
Segunda parada: município de Valente.  O objetivo da nossa ida à Valente foi conhecer a APAEB (Associação de Desenvolvimento Sustentável e Solidário da Região Sisaleira). A APAEB é uma das mais bem sucedidas experiências do Estado no campo de desenvolvimento social e econômico de uma região. Foi fundada em 1980, sem fins lucrativos, após uma mobilização de agricultores do semiárido. A manifestação ocorreu no final da década de 70, quando trabalhadores viajaram até Salvador para pedir o fim do imposto que pagavam ao vender em feiras livres o produto excedente da sua agricultura de subsistência caseira. Apesar da força do movimento, o então governador da Bahia não atendeu a reivindicação dos agricultores.
 Apesar da falta de suporte por parte do Estado,  e a falta de um resultado prático e imediato, a manifestação foi bastante importante para que os agricultores pudessem perceber a sua capacidade de organização. Juntos, começaram a pensar em uma solução, e é a partir daí que nasce a APAEB.
Atualmente, a APAEB mantém mais de 450 empregos diretos, movimenta milhões de reais na economia local, e continua lutando pelo desenvolvimento sustentável da região sisaleira. Com tudo isso, a associação consegue manter o trabalhador no campo em condições dignas de vida. 
A nossa última visita do primeiro dia de nossa "excursão sisaleira" foi à cidade de Santa Luz, mais especificamente à Rádio Comunitária Santaluz FM. Responsabilidade social e comunicação participativa, pelo que pude perceber, são os dois pilares que orientam o trabalho da Radio Santaluz Fm. Com uma história bastante rica em detalhes, até mesmo um livro já foi lançado sobre, a Santaluz FM é fruto de muita luta e resistência para a promoção de uma comunicação descomprometida de interesses pessoais e políticos. Desde sua fundação, no ano de 1998, a rádio acredita no acesso à informação como um importante componente para o desenvolvimento social. Um exemplo disso foi a sua contribuição para a erradicação do trabalho infantil na região do sisal, um problema que durante muito tempo atingiu, e ainda atinge, várias cidades do semiárido baiano.
Através de matérias contínuas que denunciavam casos de exploração do trabalho infantil, a rádio contribuiu para o aumento de discussões de políticas públicas que vieram solucionar a situação das crianças da região. Atualmente, segundo os profissionais da rádio que também são moradores da cidade, a situação é completamente diferente. 
Apesar de todos os avanços, os profissionais da santaluzfm ainda têm muito pelo que lutar. Na rádio, ficamos sabendo de um grande problema que assola a cidade de Santa Luz atualmente: a prostituição infantil. Segundo os moradores, o problema foi gerado por conta da implementação de uma nova mineradora na região. Após a chegada de vários funcionários da mineradora à cidade, a prostituição de jovens mulheres e também de meninas cresceu bastante. A falta de oportunidades para os jovens e a situação precária de muitas famílias, são colocados como os principais motivos. 

Canudos
Seguimos rumo a um dos lugares mais esperado da viagem, pelo menos para mim, Canudos. Debaixo de um sol fervilhante (o mais quente que já pude experimentar), adentramos a um dos cenários mais intrigantes desse país, o Parque Estadual de Canudos. O parque é o local exato onde ocorreu um dos maiores massacres já noticiado pelas bandas do nordeste, 20 mil sertanejos foram mortos pelo exército brasileiro, no episódio que ficou conhecido como "Guerra de Canudos". Toda essa história, até os dias de hoje, causa muita curiosidade e fascínio. 
A Guerra de Canudos foi um conflito armado, ocorrido entre 1896 e 1897, entre o Exército Brasileiro e miseráveis nordestinos, liderados pelo "beato" Antônio Conselheiro,  na então comunidade de Canudos, semiárido baiano. 
Historicamente, a região de canudos era caracterizada por grandes latifúndios, comandada por fazendeiros, secas cíclicas e desemprego crônico. Na época, a conjuntura do lugar era de uma grave crise econômica e social. Milhares de sertanejos e ex-escravos vagavam pelo sertão da Bahia.  Foi nessas circunstâncias, que se acendeu um movimento popular, em canudos, liderado pelo peregrino Antonio Conselheiro, unidos na crença de salvação milagrosa que pouparia os sofridos habitantes do sertão do pesado clima seco e da exclusão econômica e social que viviam.
Esse movimento foi totalmente reprimido por fazendeiros da região e consequentemente pelo Exército do Brasil, que após muitas batalhas, e muita resistência por parte dos sertanejos, conseguiram a destruição total de canudos.
Como um verdadeiro museu a céu aberto, o parque abriga e preserva vários pontos que  representam bastante guerra. A exemplo, o Vale da Morte, onde os militares sepultavam seus mortos, o  Vale da degola, onde chefes do exército mandavam cortar os pescoços de jagunços capturados, e Alto de Maio, onde morreu Antonio Moreira César, um dos mais importantes comandante da guerra.
Na visita, passamos por praticamente todos os pontos importantes para a história do local. Porém, para mim, o lugar mais significativo não foi nenhuma trincheira ou ponto de morte e luta. As ruínas da igreja de Belo Monte, foi o local que de fato chamou a minha atenção e me fez compreender um pouco da riqueza de tudo o que estava diante dos meus olhos. Construída por Antonio Conselheiro, a igreja foi destruída pelo exército e depois submersa pelo açude da cidade. Porém, com os períodos prolongados de seca, as ruínas se mostram. Tomei esse acontecimento como um símbolo do que foi a guerra de canudos, do que é o povo nordestino, o símbolo do da resistência. Após anos, a igreja ainda está lá, forte, brava, representando os seus "filhos" que ali foram enterrados, seus crimes: desejaram uma vida digna. Canudos não foi destruída, Canudos ainda vive, está lá a igreja que não me deixa mentir.
"O sertanejo é, antes de tudo, um forte." Euclides da Cunha.

OI KABUM E CULTURA



Por Jana Dias
O setor cultural brasileiro, atualmente, passa por significativas mudanças e entre elas está a inserção de cursos de capacitação de profissionais que trabalham na área.
É recente a adesão de cursos voltados para a área cultural, antes não sendo necessários para atuar no mercado. A lógica do mercado cultural, não se difere do mercado que rege as outras diversas relações existentes. A capacitação ajuda no fortalecimento do setor cultural, que no Brasil dá seus passos de forma pouco continuada. A escola de arte e tecnologia OI KABUM! um projeto da OI, encontra-se instalada em um antigo casarão do Largo Terreiro de Jesus, Centro Histórico de Salvador. vem divergindo da lógica de educação voltada para o social, delimitando sua área numa perspectiva voltada para o incentivo a autonomia do educando se inserindo no mercado cultural, através de projetos e edital; e atraves de rede de contatos consigam se articular em parcerias entre eles, criando relações de trocas e engajamento em projetos. A Oi Kabum! Oferta cursos na área de tecnologia audiovisual; como design gráfico, computação gráfica, vídeo e fotografia, desejando captar jovens de 16 a 19 anos da rede pública de ensino e que sejam moradores de comunidades populares.
Cada curso tem duração de um ano e meio, e as atividades são desenvolvidas por três pilares. Formação técnica; arte e tecnologia e comunicação digital.
Social e política; ser e conviver que busca a mobilização e o dialogo com as várias esferas culturais, com a responsabilidade comunitaria quanto virtuais como às redes sociais. Leitura e interpretação; oficina da palavra que como objetivo atraves das atividades desenvolver o educando para que ele possa se inserir no mundo da leitura,de uma forma mais ampla,buscando não só a leitura de textos literarios ou não literarios,mas a visão de mundo e das diversas midias e linguagens que o cerca .
As relações de cooperativismo, percebemos em outros locais como as agências da região do Sisal, que por si só não se sustenta num mercado quase inexistente. Então a partir de configurações sociais e econômicas é que eles conseguem delimitar suas expectativas de trabalho.


Sertão


Por Gláucio Vinícius
A viagem ao sertão foi uma experiência maravilhosa, conhecer lugares que nunca sonhei em conhecer...
Em Retirolândia, pude conhecer jovens universitários da minha área - comunicação social - a frente de uma rádio comunitária, levando a informação ao povo de sua localidade. Valente foi uma das partes que mais gostei. Primeiro saber da historia da rádio comunitária e, depois receber uma palestra e conhecer as pessoas a frente de todo o trabalho com o sisal. Poder saber como um material oriundo do sertão pode se transformar em tantos produtos e movimentar a economia local é tão interessante quanto saber como tantas famílias tiram o seu sustento a partir do trabalho com o sisal. Existe cooperativa, fábrica, sindicato, loja, tudo por causa do sisal. Em Santa Luz, pude conhecer uma parte da história da matriarca das rádios comunitárias, a Santa Luz FM, conhecer pessoas maravilhosas, que lutaram contra a ditadura e a perseguição até da polícia federal, e resistiram; estão firmes até hoje, fazendo seu papel no cunho social. Saber quanto essas pessoas lutam para levar o seu trabalho a frente, me dá mais força de continuar fazendo o meu curso, e um dia me sentir realizado no meu trabalho, assim como eles.
E o que falar de Canudos? Qual baiano estudante que não tem vontade de pisar nesse solo histórico e sagrado? No momento em que desci do ônibus e pisei no chão de Canudos, meus olhos se encheram de lágrimas, graças à UFBA pude realizar esse sonho: trilhar os mesmos caminhos que nativos e soldados trilharam. Se de um lado a seca afeta muito mal os moradores do sertão, de outro lado a seca pôde nos mostrar a verdadeira Canudos, como por exemplo as ruinas da velha igreja construída pelo lendário Conselheiro. Cada passo, cada placa, cada gota de suor valeu e muito a pena. Gostaria aqui também de parabenizar a iniciativa da UNEB, em fazer o Parque Estadual de Canudos organizado, bem instruído com suas placas e fotos cada uma melhor que a outra. Quem dera que no nosso imenso Brasil todos os lugares históricos - e que não são poucos - fossem tratados com o mesmo zelo e respeito.
Uma viagem linda, que ficará para sempre marcada em minha memória e que me fez ver o quanto de beleza temos por aí e nem sempre temos a chance de conhecer. Parabéns à iniciativa dos professores Severino, Giovandro e Rossoni. Se todos os mestres fossem como vocês, talvez conseguíssemos realizar mudanças de verdade.
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